Visão cristã

Análises

  
 
 

A Santa Sé e os lefebvrianos

Meu caro Leitor, alguns internautas têm perguntado pela questão dos lefebvrianos. O que posso informar com relativa segurança é o seguinte:


Dom Lefebvre: algumas preocupações legítimas,
algumas opiniões teológicas tortas e várias decisões erradas...

 

1. Está num processo avançado o diálogo entre o grupo de tradicionalistas lefebvrianos e a Santa Sé. Ao que tudo indica, toda a Fraternidade São Pio X voltará à comunhão efetiva com a Sé de Pedro e será constituída em prelazia pessoal, como o Opus Dei.

 

2. E as condições? Eles terão que aceitar o Concílio Vaticano II. Este ponto é indispensável e inegociável. O diálogo entre a Sé Apostólica e os tradicionalistas é no sentido de aprofundar o sentido das afirmações conciliares e dirimir-lhes as dúvidas: a verdade na caridade.

 

3. Um refrão cantado até o enfado pelos tradicionalistas é que o Vaticano II não é um Concílio dogmático e, portanto, não tem a autoridade de obrigar os fiéis a acatá-lo. A afirmação é totalmente torta, coisa de quem sequer sabe direito o que é um concílio ecumênico. Nenhum concílio é totalmente dogmático ou totalmente pastoral. Qualquer concílio legítimo e válido – e o Vaticano II o é plenamente, pois foi convocado pelo Papa e por ele aprovado – é sujeito de Magistério supremo e autêntico (isto é, com a autoridade dada por Cristo) para toda a Igreja. A autoridade do Vaticano II não é nem maior (como querem os progressistas tresloucados) nem menor (como querem os tradicionalistas obtusos) que a dos outros concílios; é exatamente igual! Um concílio é infalível? É, nas coisas em que se pronuncia de modo infalível, e só naquelas coisas. Por exemplo: o Concílio de Trento tem elementos infalíveis e elementos não infalíveis: quando ensina que o matrimônio é indissolúvel, é infalível; quando diz que os párocos devem pregar nas missas domincais e festiva, não é infalível! Um concílio tem autoridade para legislar para toda a Igreja? Todo concílio ecumênico possui plena autoridade e deve ser obedecido com religioso obséquio da inteligência e da vontade pelos católicos verdadeiros e sinceros.

 

4. Tudo quanto a Santa Sé puder fazer para trazer os lefebvrianos à comunhão plena da Igreja ela fará. Mas, há alguns elementos do Vaticano II que são indispensáveis para tal comunhão. Exemplos? A doutrina do Concílio sobre a liberdade religiosa, a visão conciliar a respeito do ecumenismo, a doutrina sobre a sacramentalidade do Episcopado e a colegialidade episcopal. Estes elementos são parte da doutrina católica na sua justa, sã e natural evolução. Quem deles se aparta, aparta-se do “sentir com a Igreja” que é característica irrenunciável do verdadeiro católico. Então, que espaço pode haver para o diálogo com os tradicionalistas lefebvrianos? O espaço de fazê-los compreender que estas doutrinas, quando bem compreendidas, em nada contradizem a constante e melhor Tradição da Igreja. Todas estas doutrinas podem ser compreendidas de modo absolutamente ortodoxo!

 

5. Agora, é rezar e esperar que tudo se conclua bem. Vamos ver! Bento XVI tem se mostrado realmente comprometido com a unidade da Igreja e a causa ecumênica e busca fazer tudo, no limite do possível, para recompor a unidade visível entre os cristãos. Rezemos pelo Santo Padre.

 

6. Uma última coisa. Um problema sério entre os tradicionalistas é que eles são exatamente como os protestantes: (1) São tão fundamentalistas na leitura dos textos do Magistério quanto um pentecostal com os textos da Escritura. Isto gera uma leitura torta, desequilibrada e errônea, de dar pena; (2) Como com os fundamentalistas protestantes, é muito difícil discutir com os fundamentalistas tradicionalistas, porque apegam-se a minúcias insignificantes, tiradas do seu contexto, infladas e, por vezes, deturpadas no seu sentido genuíno; (3) Exatamente como os protestantes fazem com as Santas Escrituras, eles se metem a fazer um “livre exame” dos textos do Magistério. Como dá dó ver um protestante que de exegese não compreende nada metendo-se a querer ensinar Sagrada Escritura, dá pena ver alguns tradicionalistas metendo-se a comentar “doutamente” os textos do Magistério. Recebo muitas mensagens desses por e-mail, mas não respondo nem levo a sério porque não vale a pena; rio e apago: não se pode explicar a um cego de nascença o que é o amarelo, sobretudo quando ele pensa que é um especialista em cores! (4) Como os protestantes, por causa do fundamentalismo e do livre exame, também os tradicionalistas são indisciplinados (não há uma autoridade que fale por todos). Quem viver, verá: mesmo que a Fraternidade São Pio X volte à plena comunhão com Roma, certamente haverá alguns sacerdotes tradicionalistas que dirão que a Fraternidade traiu a verdadeira Tradição católica e continuarão empedernidos no cisma!

 

7. O que Bento XVI está fazendo é aquilo que deveria ter sido feito no início da Reforma protestante: o diálogo paciente, para evitar que o cisma se cristalize e endureça ir em busca da ovelha perdida até que a encontre – eis a missão do Pastor! E não é fácil, nem com os protestantes fundamentalistas da Sagrada Escritura nem com os protestantes fundamentalistas da Tradição!


O Bispo Superior da Fraternidade São Pio X:
diálogo com a Sé Apostólica



Escrito por Pe. Henrique às 14h37
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A vida ameaçada; o assassinato elogiado

Caro Internauta, não sei se você teve notícia da Revista Veja da semana passada: no fundo uma articulada campanha a favor do aborto. Agora elogiando os médicos que ajudam seus pacientes na prática abortiva. Se uma paciente está decidia a abortar, esses gloriosos médicos orientam, ajudam e até fazem o aborto... Dão a isso um nome bonito, moderno, criativo e hipócrita: redução de danos. Pronto: assim, as mães assassinas podem abortar tranquilamente e ficam livres do problema que geraram.... Os médicos ganham seu dinheiro e a criança que nasceria é eliminada! Viva a nossa cultura, viva o homem liberado, viva a autonomia humana!

 

A verdade é que o aborto será sempre um crime, uma desumanidade, um pecado, uma monstruosidade! Nada justifica que uma mulher mate o ser humano que nela se desenvolve! Aqui não tem subterfúgio médico ou filosófico: tem-se uma vida humana e é direito de todo ser humano viver, desenvolver suas potencialidades e ser feliz. Pena que o próprio Presidente Obama, que fala tanto em direito à vida e à felicidade, um dos fundamentos da Constituição dos Estados Unidos, apoio e incentive o aborto...

 

  

"Tu me teceste no seio materno;

tu me conhecias no ventre de minha mãe" (Sl 138).



Escrito por Pe. Henrique às 10h55
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Exagero de susceptibilidade...

Caro Leitor, leia estas duas notícias. Depois comento:

 

Eis a primeira notícia:

 

O Rabinato de Israel cortou todos os seus laços com a Santa Sé de forma indefinida em protesto pela decisão do papa Bento 16 de revogar a excomunhão de um bispo que nega o Holocausto.

 

Em uma carta enviada à Santa Sé por seu diretor geral, Oded Weiner, o Rabinato comunica sua indignação pela reabilitação do bispo britânico Richard Williamson e suspende um encontro entre judeus e cristãos programado para o início de março, publica hoje o jornal "Jerusalem Post".

 

"Sem uma desculpa pública será difícil continuar com este diálogo", afirma a carta de Weiner, que vazou antes de chegar à Santa Sé.

 

O encontro devia acontecer entre os dias 2 e 4 de março em Roma entre o Rabinato, entidade oficial em Israel, e a Comissão da Santa Sé para as Relações Religiosas com o Judaísmo, presidida pelo cardeal Walter Casper.

 

Em declarações ao jornal, seu colega na Comissão israelense paralela, o rabino Shear Yashuv Cohen, se mostrou esperançoso de que o bispo corrija suas posturas antes de voltar ao diálogo inter-religioso.

 

Williamson descartou recentemente a possibilidade de que seis milhões de judeus tenham sido mortos pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, e estimou que no máximo havia "entre 200 mil e 300 mil mortos em campos de concentração, mas nenhum em câmaras de gás".

 

 

Agora, a segunda:

 

O papa Bento XVI condenou hoje o revisionismo sobre o Holocausto e afirmou que este episódio deve servir a todos como "advertência contra o esquecimento, a negação e o reducionismo".

 

Diante de milhares de fiéis que compareceram à Sala Paulo VI para a audiência pública das quartas-feiras, o papa condenou novamente "o massacre de milhões de judeus, vítimas inocentes de um cego ódio racial e religioso".

 

Bento XVI respondeu assim às duras críticas feitas estes dias por importantes rabinos à Igreja Católica e a ele pelas declarações do bispo Richard Williamson, ao qual acaba de revogar a excomunhão e que afirmou que "não existiram as câmaras de gás" e que apenas cerca de 300 mil judeus - "e não seis milhões" - morreram nos campos de concentração nazistas.

 

"Nestes dias nos quais lembramos a Shoah (Holocausto) retornam a minha memória as imagens nas diferentes visitas a Auschwitz, um dos locais nos quais se consumou o feroz massacre de milhões de judeus, vítimas inocentes de um cego ódio racial e religioso", declarou o pontífice.

 

O papa reiterou "com afeto" sua "plena e indiscutível solidariedade" com os judeus e expressou o desejo de "que a memória da Shoah induza a humanidade a refletir sobre a imprevisível potência do mal quando conquista o coração do homem".

 

"A Shoah deve ser para todos uma advertência contra o esquecimento, a negação ou o reducionismo, pois a violência feita contra um só homem é violência contra todos", declarou.

 

Observações minhas:

 

1. Já expliquei aqui num post abaixo. Bento XVI, preocupado em reparar o cisma dos tradicionalistas lefebvrianos, suspendeu a excomunhão dos quatro Bispos sagrados ilicitamente pelo falecido Dom Marcel Lefebvre. Um desses Bispos havia recentemente dado uma entrevista a uma TV sueca e, falando sobre a II Guerra Mundial, negou o Holocausto.

 

2. Agora, boa parte da mídia e os judeus criticam o Papa por suspender a excomunhão do Bispo. É demais, muito demais – perdoem o português! Não tem nada a ver uma coisa com a outra! A excomunhão dos Bispos deu-se unicamente porque eles foram ordenados sem a permissão do Papa. Não tem alguma relação com posições outras desses homens. Aqui, a preocupação do Papa é com a questão da divisão dentro da Igreja!

 

3. Quando a imprensa e os judeus metem-se com isso, cometem um ato absolutamente inaceitável de ingerência nos assuntos internos da Igreja. Bento XVI já demonstrou de muitíssimos modos e em diversas ocasiões sua simpatia e seu carinho pelos judeus. Agora, esta sensibilidade extrema e intrometida, sinceramente, não pode ser aceita nem tolerada! Os judeus reclamaram porque o Papa liberou a liturgia de São Pio V, que traz na Sexta-feira Santa uma oração que pede que os judeus aceitem a luz de Cristo; os judeus querem impedir que o Papa beatifique Pio XII, os judeus, assim, não estão colaborando em nada para o diálogo com os cristãos.

 

4. Diálogo sim, mas com respeito mútuo! Daqui a pouco, eles vão querer que o Papa não mais fale de Cristo, vão solicitar que rasguemos o Novo Testamento e que reneguemos nossa fé cristã! Ora, tenham paciência! A Igreja, graças a Deus, preza os judeus e, atualmente, tem sido firme em condenar toda forma de antissemitismo. Basta um pouco de boa vontade e mente aberta para ver isso! Como é difícil hoje, este mundo do politicamente correto e das palavras mais que medidas! Tanta susceptibilidade, tanta bobagem, tanto factóide! Deus ilumine o Santo Padre e lhe dê muita paciência e firmeza!

 


O Papa em visita ao
Campo de Concentração de Auschwitz:
estima pelos judeus.



Escrito por Pe. Henrique às 12h46
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Só o senhor é Deus...

 Amanhã é a posse de Barack Obama. Gosto dele, agrada-me o modo como está levando adiante a transição: com modéstia, sem demagogia, sem estrelismo, sem declarações contundentes e respeitando o atual Presidente, que está no comando do País.

O que não me agrada nada é a atitude da imprensa, especialista em criar realidades fictícias, factóides virtuais. Primeiro, demonizou o Presidente Bush, que tem lá seus méritos e não é o estulto que os meios de comunicação fizeram o mundo crer que ele seja.

Depois, o modo como endeusa Obama. Fazem dele o salvador, o marco de uma nova era, o justiceiro dos pobres, a luz que tira o mundo das trevas... E Obama não é nem pode ser nada disso!

Vivemos à procura do Novo, do Novo Tempo... Meu caro Leitor, o Novo é Cristo, o Salvador é Cristo, a Novidade que não caduca é Cristo, o único que satisfaz nossas aspirações mais profundas é Cristo!

Quem dera que a humanidade tivesse diante dos olhos o verdadeiro Fundamento, o único Absoluto, Cristo-Deus, para aprender a avaliar os acontecimentos deste mundo na sua justa medida, sem divinizar o que é somente humano nem absolutizar aquilo que passa...


Só um homem, filho de Adão...

 



Escrito por Pe. Henrique às 15h55
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Um Evangelho a ser testemunhado por inteiro

Caro Internauta, pense um pouco sobre estes dados: 

O estudo Jovens Espanhóis da Fundação Santa Maria revelou que a percentagem de jovens de entre 15 e 24 anos que se declaram católicos desceu de 77 a 49 por cento na última década, e que quase a metade deles diz que as aulas de religião não lhes serviram virtualmente para nada.

Segundo o estudo, dirigido pelo catedrático da Universidade Autônoma de Madri, Pedro González, esta diminuição é pela postura da Igreja em temas como o "matrimônio" homossexual, o aborto ou a eutanásia; posição considerada "impopular" pelos jovens.

Do mesmo modo, 79 por cento acredita que a Igreja é muito rica e 82 por cento que seu ensinamento sobre temas sexuais é antiquado. Entretanto, a metade dos jovens afirma que a Igreja ajuda aos pobres e marginados através de instituições como Cáritas.

Sobre as aulas de religião, quase a metade de jovens indica que estas não lhes serviram para nada. 36 por cento acredita que lhes serve de algo ou de muito; enquanto que dez por cento afirma que não seguiu esta disciplina.

Entretanto, 43 por cento de jovens entre 15 e 24 anos expressou seu desejo de casar-se na Igreja, enquanto que 22 por cento opta pelo matrimônio civil e só 16 por cento se inclina pelas uniões de fato.

Sobre este mesmo tema, um estudo realizado pelo Observatório Galego da Juventude revelou que apesar de a maioria de jovens de entre 15 e 29 anos ser batizada, somente 43,13 por cento se declara católico, 31 por cento diz ser agnóstico ou não crente; enquanto para 21,7 por cento a religião lhe é indiferente.


Observações minhas:

1. A diminuição da fé católica entre os jovens não é pela postura da Igreja, mas pela secularização violenta pela qual passa a Europa e a Espanha de modo particular (basta pensar no Governo socialista anti-católico que os espanhóis elegeram e reelegeram). É também pela mentalidade hedonista, do prazer, do ter, da curtição, é ainda pela falta de vivência cristã dos pais e de transmissão da fé nas famílias; é ainda pela secularização de muitos ambientes da Igreja espanhola...

2. Quanto às posições da Igreja sobre questões morais, paciência! A verdade de Cristo não está à venda e o Evangelho não pode ser negociado. A questão de fundo é que a adesão ao senhor exige conversão: não é ele quem tem que nos agradar, mas nós, que devemos sair de nós mesmos pela conversão e nos deixar medir por ele e pela sua verdade.

3. Quanto às aulas de religião, que não teriam servido para nada, não duvido. Se aula de religião é para discutir sobre tudo e de modo irenista e ambíguo como se costuma fazer hoje! Nossa catequese, em geral, é ambígua, medrosa, relativista e tem medo de apresentar sem meias palavras toda a verdade cristã sobre Jesus Cristo, sobre a Igreja e sobre o homem - aquilo que João Paulo II já pedia aos Bispos em Puebla. Não devemos estar preocupados em agradar, mas em que Cristo seja anunciado na integridade do seu mistério e a Igreja seja apresentada na plenitude de seu mistério e sua doutrina: um planta, outro rega; mas é Deus - e somente Deus - quem dá o crescimento!

4. Quanto à "riqueza" da Igreja, é o argumento mais antigo e bobo dos que querem simplesmente justificativas para não crer. A questão não é a Igreja, mas o encontro vivo, transformador e comprometido com o Senhor Jesus Cristo. O resto é conversa fiada. Enquanto não se vir as coisas com clareza ficaremos preocupados com falsas questões! Jamais todos acreditarão; jamais a maioria acolherá o Evangelho! Quando vamos realmente compreender o escândalo da cruz e a quebradura do coração humano?




Escrito por Pe. Henrique às 11h37
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Maldito politicamente correto!

Caro Internauta, pense no samba do crioulo doido! Durante esta semana está ocorrendo no México o Encontro Mundial das Famílias. É um encontro que a Igreja promove já há vários anos. Trata-se de uma bela ocasião para pensar, debater, rezar e contemplar o projeto de Deus para a família.

Note que numa ocasião como esta, a Igreja procura aprofundar cada vez mais sua consciência sobre o que Deus pensa e deseja da família, sobretudo nestes tempos de tantos ataques a esta instituição tão humana e tão divina.

Pois bem, várias organizações protestaram porque a Igreja não incluiu na pauta do encontro discussões sobre as famílias alternativas, como por exemplos, as duplas gays!

Esse pessoal é maluco; não tem senso do limite! É como o rabino italiano que nesta semana criticou o Papa porque este afirmou que Cristo é a plenitude de toda religião! O que esse rabino maluco deseja? Que o Papa se torne judeu? Que o Vigário de Cristo ensine que tanto faz ser cristão como não sê-lo? O mesmo para essas organizações mexicanas: desejam que a Igreja diga que família é qualquer doidice que o mundo de hoje invente? Que uma dupla gay vivendo maritalmente está no plano de Deus? Note que aqui há um desejo do homem de colocar-se no lugar do Senhor e impor os valores mundanos - dum mundo pervertido - sobre a vontade do Senhor. É, realmente, inacreditável!


Família: um esposo, uma esposa, os filhos.
Só isto!



Escrito por Pe. Henrique às 11h15
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Elegia por um velho rabugento

 José Saramago, escritor português, Prêmio Nobel de Literatura, esteve recentemente no Brasil. Ele é comunista, ateu, anti-clerical e inimigo declarado da Igreja. É idoso, está doente, mas é pródigo em afirmações tolas...

Sobre Deus e as coisas de Deus, afirmou: "Por que eu teria de mudar [a concepção de Deus após a doença]? Porque supostamente me salvou a vida? Quem me salvou foram os médicos e a minha mulher. E Deus se esqueceu de Santa Catarina? Deus não existe. Salvo na cabeça das pessoas, onde está o diabo, o mal e o bem. Inventamos Deus porque tínhamos medo de morrer, acreditávamos que talvez houvesse uma segunda vida. Quando a Igreja inventou o pecado, inventou um instrumento de controle, não tanto das almas, porque à Igreja não importam as almas, mas dos corpos. O sonho da Igreja sempre foi nos transformar em eunucos. A Bíblia foi escrita ao longo de 2.000 anos e não é um livro que se possa deixar nas mãos de um inocente. Só tem maus conselhos, assassinatos, incestos..." Aqui está um esquerdista de pedigree, um "comunista hormonal", que revela toda sua ojeriza à idéia de Deus e sua repugnância pela Igreja, com argumentos absolutamente injustos e superficiais... O que afirma sobre a Bíblia faz duvidar da sua lucidez e boa fé... Qualquer um que seja tem o direito de ser ateu e de não gostar da Igreja; mas, seria bom argumentos um pouco mais sérios e inteligentes...

Não deixa de ser sintomática a visão que o velho e rabugento ateu conserva sobre a humanidade: "A história da humanidade é um desastre contínuo. Nunca houve nada que se parecesse com um momento de paz. Se ainda fosse só a guerra, em que as pessoas se enfrentam ou são obrigadas a se enfrentar... Mas não é só isso. Esta raiva que no fundo há em mim, uma espécie de raiva às vezes incontida, é porque nós não merecemos a vida. Não a merecemos. Não se percebeu ainda que o instinto serve melhor aos animais do que a razão serve ao homem. O animal, para se alimentar, tem que matar o outro animal. Mas nós não, nós matamos por prazer, por gosto. Se fizermos um cálculo de quantos delinqüentes vivem no mundo, deve ser um número fabuloso. Vivemos na violência. Não usamos a razão para defender a vida; usamos a razão para destruí-la de todas as maneiras -no plano privado e no plano público".

Pobre coitado: não crê em Deus, não consegue ver o que de belo existe no homem, apesar dos pesares. Um homem sem esperança. Nega Deus e, por isso mesmo, não consegue afirmar o homem: "Como será possível acreditar num Deus criador do Universo, se o mesmo Deus criou a espécie humana? Por outras palavras, a existência do homem, precisamente, é o que prova a inexistência de Deus". Quão dura e sem sentido lhe deve ser a existência! Como a de outro rabugento: Sartre, que pode ser resumido assim: Deus não existe; o inferno são os outros!



Escrito por Pe. Henrique às 01h41
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Lá como aqui...

Caro Internauta, eis uma pedacinho da matéria da Veja desta semana. Trata da formação do novo Governo dos Estados Unidos. É interessante como na oposição se dizem coisas e se fazem críticas que depois são totalmente esquecidas e contraditas quando se chega ao governo. Aquilo que já se dizia no Brasil Império, com realismo cínico: "Nada mais conservador que um liberal no poder e nada mais liberal que um conservador na oposição"... Ah, nada como um dia atrás do outro - com uma noitezinha no meio... Leia e pense: 

À primeira vista, a nomeação mais perturbadora para os eleitores de Obama que apostaram na mudança é a de Robert Gates. Com uma carreira construída entre a CIA e o Conselho de Segurança, Gates é um veterano do poder e, em dezembro de 2006, assumiu como secretário de Defesa de Bush. 

Desde que o cargo foi criado, há mais de sessenta anos, será a primeira vez que seu titular passará de um presidente ao outro, num extraordinário espetáculo de continuísmo. E será logo na passagem de Bush para Obama. E logo durante a Guerra do Iraque, conflito que Bush deflagrou e defende com tanto entusiasmo e que Obama transformou em seu saco de pancadas predileto. 

O contraste entre o que Obama disse em campanha e o que está fazendo depois de eleito remete às críticas do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva à política econômica de Fernando Henrique na campanha de 2002. Pedro Malan, o ministro da Fazenda, foi demonizado como símbolo de uma política então denunciada como hostil com o povo e afável com os banqueiros. Depois que assumiu, Lula limpou a área dos petistas que palpitavam e entregou tudo na mão de quem entendia do assunto - e, como se sabe, manteve a política econômica tal e qual

Visto de longe, Obama parece inclinado a fazer o mesmo. Em vez de recorrer a um democrata com retórica incandescente contra a guerra no Iraque mas sem experiência, preferiu a garantia e a estabilidade de manter Robert Gates.



Escrito por Pe. Henrique às 23h04
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A gata escondida com o rabo de fora

Lá vou eu, com minhas análises. Escutei uma entrevista de Ministra Dilma Rousseff, a candidata do Presidente Lula para sucedê-lo na presidência do Brasil. Ela não disse que era candidata, mas afirmou o tempo todo. Só que com a argumentação mais tola que se poderia esperar. Eis o brilhante raciocínio: O século XXI é o século das mulheres e dos negros. Eles estão provando que não são inferiores e podem ocupar qualquer posição...

 

Que argumentação! Espero que a Ministra Dilma nunca seja Presidente da República – não porque é mulher, mas pelo tipo de raciocínio que engendra: ou é boba ou se faz de boba ou pensa que pode nos fazer de bobos! Nenhuma das possibilidades crendencia a nobre petista para a presidência da nossa República...

 

 


Dilma: a "brilhante"

 

Essa bobagem de século de mulher e século dos negros é pura conversa mole. Há muito tempo que as mulheres estão na política e ninguém mais vota ou deixa de votar em alguém por ser homem ou mulher. Vota-se por outros critérios. Quantas governadoras já tivemos (e no Nordeste machista mais que em qualquer outra região)... Mulheres chefes de governo e de estado já tivemos no Canadá, na Inglaterra, na Islândia, na Dinamarca, no Chile, na Argentina... Portanto, é conversa mole, essa de que o século XXI é o século das mulheres.

 


Colin Powell: um negro realmente brilhante
e sem demagogias...

 

Bobagem também querer pegar carona na eleição de Barack Obama para falar em século dos negros. Não se votou em Obama porque ele é negro, mas porque os americanos julgaram-no o melhor. E só. Essa bobagem de que a esperança venceu o medo é mito da turma do Lula, querendo comparar o novo presidente dos EUA com o velho presidente brasileiro. Nada a ver um com o outro! Obama tem dado provas de ser inteligente, realista e nada deslumbrado... Quanto aos negros nos EUA, basta lembrar dos dois últimos Secretários de Estado estadunidenses: o General Colin Powell, negrinho da silva e Condolezza Rice, negra e mulher...

 

A Ministra Dilma, para respeitar a inteligência da média dos brasileiros, deveria simplesmente ter dito: Estou doidinha para ser a sucessora do Lula, simplesmente porque sou Dilma e quero ser a chefona. Seria mais honesto e mais respeitoso para com o povo...

 


Condolezza: mulher, negra, solteira, fortíssima.
Sem apelações nem demagogias...

 

Vamos ver muitas dessas coisas até as eleições. Preparemo-nos...



Escrito por Pe. Henrique às 22h39
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Até que enfim...

Caro Internauta, como já é do conhecimento de todo o mundo, o Governo Lula não defende os interesses brasileiros no exterior. O Ditador da Venezuela já zombou da gente e o Governo Lula não fez nada; o Caudilho da Bolívia já causou humilhação e prejuízo à Petrobrás e ficou por isso mesmo. Agora o Equador, com seu Ditadorzinho... Graças a Deus, parece que o Governo brasileiro, dessa vez vai fazer alguma coisa. O Presidente do Paraguai, outro populista de esquerda, também já está armando o golpe contra o Brasil... Ou o Governo Lula se impõe e coloca seus compadrios ideológicos de lado, defendendo o Povo brasileiro e a dignidade de nossa Nação, ou o Brasil vira a Geni da América Latina... Que inveja eu tenho dos Estados Unidos, que têm governos – democratas ou republicanos – que amam seu país e defendem seus interesses! Segue uma matéria para que você acompanhe um pouco a situação:

 

 


O Presidente do Equador: populista demagogo.

É cria de Chávez e amigo das FARCs, os terroristas da Colômbia.

 

O presidente do Equador, Rafael Correa, disse neste sábado que está muito sentido com a decisão do Brasil de chamar seu embaixador em Quito para consultas, mas reafirmou que não recuará no processo iniciado em um tribunal de Paris para impugnar a dívida equatoriana com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

 

Correa conversou por telefone na manhã de hoje com Luiz Inácio Lula da Silva e disse que "independentemente do carinho que tem pelo Brasil, não vai deixar que ninguém engane seu país".

 

Com decisão inédita sob Lula, Itamaraty manda duro recado diplomático a Correa

Lula diz a Correa que estuda saída para disputa, informa fonte

"O Brasil nos retira seu embaixador e esta medida nos entristece muito, como dissemos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele tem nosso respeito, compartilhamos isto, mas não vamos recuar na defesa dos interesses do país, custe o que custar", revelou Correa em seu programa nacional de rádio e TV.

 

"Não entendemos o motivo deste incidente diplomático por algo que é um problema claramente comercial e financeiro (...) Não há que brigar com o Brasil, mas se este é o caso, que cada um assuma a sua responsabilidade".

 

Brasília convocou para consultas seu embaixador em Quito, Antonino Marques Porto, após a decisão de Correa de iniciar um processo internacional para não pagar o empréstimo de 243 milhões de dólares tomado com o BNDES para a construção de uma hidrelétrica pela brasileira Odebrecht.

 

"Iniciamos o processo jurídico para denunciar o crédito à Odebretch" na Câmara de Comércio Internacional de Paris, anunciou Correa na quinta-feira, durante a divulgação de resultados de uma auditoria sobre a dívida externa equatoriana.

 

O BNDES financiou a construção da hidrelétrica de San Francisco, que interrompeu suas operações por falhas técnicas apenas um ano depois da conclusão da obra. Devido ao problema, Correa decidiu expulsar a Odebrecht do país.

 

Segundo o governo do Equador, o dinheiro foi fornecido à construtora pelo BNDES, e Quito considera que a dívida não é de sua responsabilidade.

 

Neste sábado, Correa disse que "diante da polêmica, recorreu à arbitragem em Paris", mas destacou que "não houve uma suspensão de pagamento".

 

Na sexta-feira, a chancelaria equatoriana deplorou a decisão do Brasil de chamar seu embaixador e defendeu que a polêmica envolvendo o BNDES seja "resolvida pelos canais jurídicos (...) sem que esta situação afete as excelentes relações existentes" entre os dois países.

 

Além de chamar seu embaixador em Quito, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o Brasil analisará outras ações e vai examinar a cooperação com o Equador.

 

 


Sede do BNDES:
Não é do Lula; é do Povo;
é nosso!

 

Observação minha: O dinheiro do BNDES é do Povo brasileiro. O calote é no Povo brasileiro, em mim e em você... É o dinheiro do nosso imposto. Rafael Correa é um populista demagogo; está em campanha eleitoral e deseja posar de durão às nossas custas... Eu ainda acho que o Governo Lula, no fim, vai abrir... Não sai do bolso do Presidente... Sai do nosso... Quem sabe tratar bem esse pessoal é o Presidente Uribe, da Colômbia. Esse sim, tem peito para defender seu povo e sua pátria...

 

 


Álvaro Uribe, da Colômbia:

enfrentou Chávez, desmoralizou Correa e está destruindo as FARCs.



Escrito por Pe. Henrique às 19h40
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O PT, a religião, o cristianismo e o aborto

Caro Internauta, veja bem esta notícia: PT ameaça expulsar deputados federais contra o aborto!

 

Os deputados Luiz Bassuma (BA) e Henrique Afonso (AC) estão sendo processados pela comissão de ética do diretório nacional do PT porque são contrários à aprovação do aborto no Brasil. Quem representou contra eles foi a petista Laisy Miriére, da Secretaria Nacional de Mulheres, que integra a executiva nacional do PT. Os deputados já foram notificados a apresentarem defesa prévia em dez dias e estão sujeitos até a expulsão.

 

Pergunta-se: o que um cristão pode fazer num partido assim? É o que digo sempre aqui: os valores da esquerda dificilmente se conciliam com o cristianismo. A esquerda tradicional tolera a religião por conveniência, mas, na verdade, tem-na como reacionária e inimiga... E ainda  tem padres, como os quarenta de São Paulo, que fazem manifesto de apoio ao PT!

 


Lula com o Papa.

Valores morais bem diferentes.



Escrito por Pe. Henrique às 15h29
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A moral dos democratas

Caro Internauta, os democratas estão de volta ao governo dos Estados Unidos... como nos velhos tempos de Clinton, as questões morais serão tratadas de modo muito distante do sentir cristão...

 

Frente aos projetos anunciados de Barack Obama de autorizar projetos de pesquisa com embriões humanos, o presidente do Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde, cardeal Javier Lozano Barragán, reiterou nesta terça-feira que se trata de uma prática que atenta contra a ética.

 

O purpurado mexicano expressou a posição da Igreja em uma coletiva de imprensa em resposta à pergunta de uma jornalista que pediu sua opinião sobre as políticas de pesquisa com células-tronco embrionárias, que o presidente eleito dos Estados Unidos propôs no domingo passado.

 

Segundo informou nesse mesmo dia o chefe de transição do presidente eleito à Casa Branca, John Podesta, Obama autorizará vários projetos que o atual presidente George Bush deteve durante seu governo, entre eles a pesquisa com esse tipo de células.

 

Um princípio fundamental da bioética, recordou o cardeal aos jornalistas, assegura que «o que constrói ao homem é bom, o que o destrói é mau».

 

Recordando que a dignidade humana é um fim e não um meio que pode ser manipulado, afirmou que «nunca se pode usar uma pessoa como um meio para outra».

 

«Não é possível matar um ser humano para salvar outro», sublinhou.

 

Lozano Barragán se referiu também a outros métodos lícitos para extrair células-tronco, como as que se encon tram no cordão umbilical, no fígado, no pâncreas ou na medula óssea.

 

«Quando se trata de transplantes que não põem em perigo o doador nem o receptor, tudo é bem-vindo, não há nenhuma questão contra», assegurou.

 

Igualmente, assegurou que as descobertas com as células-tronco foram apresentadas à opinião pública, em um primeiro momento, como uma «panacéia», mas que até agora a cura com células-tronco embrionárias não ofereceu as garantias anunciadas.

 

Sobre o tema interveio também em coletiva de imprensa o professor Alberto Ugazio, coordenador do Departamento de Medicina Pediátrica do hospital Bambino Gesu, de Roma, para respaldar esta conclusão.

 

Quando utilizaram células-tronco embrionárias, «nem sequer um estudo deu um resultado positivo», mas muitas v idas foram salvas com células-tronco adultas, que se encontram em diversas partes do corpo, informou o doutor.

 



Escrito por Pe. Henrique às 01h08
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Metido a analista...

Não sou analista político, mas gosto imensamente de observar a política. Deixa-me perplexo a atitude internacional ante a eleição de Barack Obama. É bobagem nos meios de comunicação e bobagem na boca de um monte de político latino-americano (o que não é novidade).

 

Nosso glorioso Presidente Lula, pródigo em afirmações desprovidas de conteúdo e populistas, tão a gosto do povo brasileiro (que pena: mostra o que somos!), já comparou Obama consigo mesmo. Só que entre Obama e Lula não há nada a ver mesmo! Como lembrou a Veja: “Muito se disse sobre a semelhança entre a ascensão de Lula, o primeiro presidente de origem humilde do Brasil, e a de Obama, o primeiro negro eleito presidente dos Estados Unidos. As diferenças são intransponíveis. A comparação seria possível se Lula tivesse nascido na Ilha de Marajó, filho de um angolano com uma sexóloga de Cuiabá, tivesse morado em Bangcoc, na Tailândia, e fosse formado em direito na Universidade de São Paulo (USP). Lula, com sua origem pobre, pertence à maioria étnica brasileira. Obama, como negro, é da minoria nos Estados Unidos. O eleitorado negro americano, mesmo com o maciço comparecimento às urnas agora, subiu para apenas 13% do total. Lula venceu a eleição presidencial na quarta tentativa. Obama, na primeira. Lula, ao ser eleito, era o político mais conhecido do Brasil, e conhecia o Brasil de norte a sul. Obama, não. Desde 1976, quando apostaram em Jimmy Carter, governador da Geórgia, os democratas não lançavam nome tão desconhecido quanto Obama, senador há menos de quatro anos. Obama nunca andara pelos recantos dos Estados Unidos, em cuja parte continental pôs os pés pela primeira vez quando tinha 11 anos”. Além do mais, Obama não fala bobagens e tem demonstrado que está longe de ser um deslumbrado consigo mesmo e com o poder, como o nosso Presidente.

 

De modo indiscreto, em Cuba, de mãos dadas com o Ditador Fidel Castro, que perseguiu e matou para se manter no poder, Lula declarou publicamente sua simpatia a Obama antes da eleição. Atitude indigna de quem pensa que é estadista. E se ganhasse o republicano? Mas, Lula vai se arrepender... Ele não deve saber que, por tradição, os democratas são mais protecionistas que os republicanos. O Brasil terá mais dificuldades para exportar alguns de seus produtos para os EUA.

 

Pelo que vemos nos comentários mundo a fora, parece até que Obama é a favor do mundo e contra os Estados Unidos. Ledo engano! Obama é estadunidense até a medula: vai tratar o Irã com dureza, não vai retirar tão cedo as tropas do Iraque ou do Afeganistão, não dará moleza à Coréia do Norte nem fará gracejos para o Ditador da Venezuela ou os caudilhos da Bolívia e Equador. Como todo presidente estadunidense, Obama vai, sim, preservar os interesses dos Estados Unidos! Quando os coitados do Chávez e do Evo Morales (dois tiranóides tolos) querem fazer todo mundo pensar que a raiva deles era contra Bush, estão perdendo tempo. Um presidente norte-americano não fala mal de seu antecessor, como o Lula faz com o Fernando Henrique. Existe naquele País um profundo sentido cívico e de apreço pelas instituições, sobretudo a Presidência. Obama continuará reservado quanto às semi-ditaduras da América Latina.

 

As principais diferenças de Obama para Bush serão, internamente, (1) uma maior presença do Estado no cuidado para com os pobres e desempregados; (2) uma maior iniciativa em ações sociais por parte do governo; (3) maior fiscalização do mercado financeiro (mas nada do que fala o glorioso Lula, com um controle estatal da economia. Americano tem horror a isso) e (4) maior controle com o gasto público para equilibrar o déficit público norte-americano, que Bush tornou catastrófico. Externamente, penso que a grande diferença entre Obama e Bush será, como nos tempos de Clinton, a retomada de uma mais forte parceria com a Europa. Bush isolou muito os EUA dos europeus. Foi um erro. Também o Oriente Médio será beneficiado: Obama tentará reativar o processo de paz entre palestinos e israelenses.

 

O que é fina bobagem é esperar que o governo americano fique bonzinho e abra mão de seus interesses estratégicos... Mesmo porque há um Congresso, que é muito cioso de suas atribuições e vigiará a linha do Presidente. Como os meios de comunicação erraram na avaliação de Ratzinger, também erra feio nas previsões sobre Obama. Quem viver verá!

 

A questão é que num mundo superficial como o nosso, os meios de comunicação adoram fazer previsões e inflar a importância dos eventos, dando a tudo o adjetivo de histórico. Realmente, foi histórica a eleição de um negro para a Casa Branca. Mas, observe-se bem que Obama jamais fez disso uma bandeira da campanha. Se tivesse feito, não teria ganhado. Nisso há nele uma semelhança com Lula: seus ser negro terá tanta influência na formação do seu governo como ser operário teve no governo Lula: nenhuma! Mas, sobre essas coisas não adianta discutir. É esperar para ver!

 


Obama: seu compromisso é com os EUA.
Depois, o mundo.
Como todo presidente estadunidense.



Escrito por Pe. Henrique às 23h55
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Lições vermelhas e azuis...

Gostaria de partilhar com você, meu paciente e fiel leitor, alguns pensamentos sobre a recente eleição para a presidência dos Estados Unidos.

 

Primeiramente reafirmar minha profunda admiração pela democracia estadunidense. Lá, o ato de votar é uma festa e algo normal; não é cercado de tanta leizinha boba, tanta proibição ditatorial, tanta cerimônia tola como no Brasil. O TSE inferniza a nossa vida na época de eleição com um moralismo tolo que nada tem de cívico. É a mentalidade tacanha dos países latino-americanos. E só.

 

Comoveu-me o discurso do candidato derrotado: a declaração de amor ao País, o sincero e leal reconhecimento da derrota, os votos ao novo Presidente e a promessa de ser-lhe fiel no exercício da cidadania. Também a postura nobre e equilibrada do vencedor, com a consciência de que agora é o presidente de todos os estadunidenses.

 

 

 

Por outro lado, dá-me pena e asco algumas análises dos meios de comunicação: “Agora é o início de um novo tempo”; “A eleição de Obama mudou a história”; “Estamos no limiar duma nova era”. Tudo bobagem das bem bobas! A história é sempre assim: um fluxo de acontecimentos, num fio contínuo, com tensões, rupturas, avanços e até recuos... “Nada de realmente novo debaixo do sol!” Querem Novidade que não passa, que não fica velha nunca, que dá sabor e sentido à história? Olhem para o Cristo, o Vencedor da Morte, Aquele que tem o Livro selado e pode abri-lo e traz nas mãos as chaves da Morte e do Abismo! O resto é tão fugaz, tão passageiro, tão limitado...

 

 

Somente uma imprensa boba, que já não conhece os valores cristãos, pode fazer uma leitura tão infantilóide de um pequeno fato, que por mais que tenha certa importância, está longe de ser fundamental para a história humana! É de bobagens assim que Cristo nos liberta! A ele – e só a ele – a glória para sempre! Amém.



Escrito por Pe. Henrique às 00h16
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Algumas análises pertinentes...

Repare só, caro Leitor, que lúcidas palavras do sociólogo Demétrio Magnóli, em trechos duma entrevista concedida à Veja nesta semana:

 

A palavra "direita" esteve associada no século XX ao fascismo e ao nazismo. Tais regimes foram condenados de maneira absoluta pela população mundial. Em países da América Latina, em particular, a direita foi ligada a regimes militares. Por isso, no Brasil, a expressão "direita" ainda é usada, embora cada vez com menor freqüência, como sinônimo de tudo o que deve ser rejeitado. Já o termo "esquerda" costuma ser relacionado a uma idéia de transformação humanista do mundo, imaginada a partir da Revolução Francesa e das lutas sociais do século XIX. Muita gente esquece que elas, em sua origem, deceparam milhares de cabeças por meio da guilhotina. Assim como esquece a brutalidade do stalinismo e do maoísmo, no século XX.

 

Nos países de democracia madura, o argumento "isso é de direita" não serve para encerrar uma discussão. Não gosto do governo Lula, mas ele está sendo bom para o nosso amadurecimento político. O PT no poder revelou a esquerda que faz o mensalão, persegue o caseiro, tenta controlar os meios estatais para os seus próprios fins e confunde estado com governo e partido. Com o tempo, os brasileiros vão se convencer de que os partidos de direita e de esquerda devem existir dentro de um mesmo espectro político, desde que aceitem a democracia. Essa mudança de percepção pode ser verificada nas últimas eleições municipais. A classe média de São Paulo, que no passado votou em massa em candidatos do PT, agora elegeu Gilberto Kassab e não o vê como um candidato da velha direita – apesar de pertencer ao DEM, o antigo PFL. Os eleitores não compraram a idéia de que as eleições eram a luta do bem contra o mal, como a campanha do PT tentou vender. O PT imbuiu-se, nessas eleições, da missão de eliminar o DEM. A idéia de eliminar um partido, de centro-direita ou não, é antidemocrática. O que o discurso do PT revela é o desejo de ser partido único. Resultado: a classe média que acreditou no PT agora desconfia de sua natureza democrática.

 


O Lula de olho...

 

A corrupção é um fenômeno muito antigo na história do Brasil e completamente suprapartidário. O que espantou muita gente foi o estilo PT de corromper – e que, claro, tem a ver com a sua visão de mundo. O partido apresentou um modo centralizado de praticar a corrupção. Ao contrário da prática tradicional, feita em nome de interesses localizados, o PT deliberou e organizou a corrupção a partir da sua cúpula. Isso provocou uma ruptura muito grande entre o partido e boa parte do seu eleitorado tradicional, principalmente nas grandes cidades.

 

A queda do Muro de Berlim fez muito mal ao PT. O fracasso da União Soviética e de seus satélites no Leste Europeu tirou de cena o foco da crítica petista, que em sua origem repudiava o chamado socialismo real. A partir daí, o partido tomou um rumo regressivo e foi dominado por três grupos. O primeiro é a corrente de origem castrista, representada, entre outros, por José Dirceu. O segundo é o dos sindicalistas, notadamente os que controlam a CUT. O terceiro é formado pelas correntes católicas ligadas à Teologia da Libertação, cujo principal representante é Frei Betto, que foi um alto assessor de Lula. Com isso, o PT adotou uma ideologia retrógrada do estado como salvador da sociedade. Deixou de fazer qualquer crítica ao socialismo real – a não ser em dias de festa, em documentos para inglês ver – e passou a falar como um velho partido comunista de outros tempos. O PT se tornou uma agremiação de esquerda estatizante, para a qual a história é uma ferrovia cujo destino final é a redenção da humanidade – e que vê a si própria como a locomotiva do comboio. Esse é o conceito de história que deveria ter desaparecido depois de 1989, com a queda do Muro de Berlim. Ao encampá-lo, o PT se tornou uma espécie de relíquia.

 


... para se eternizar no poder.

 

A falta do espelho do socialismo real na União Soviética e no Leste Europeu faz com que a esquerda latino-americana se entusiasme com governantes como Hugo Chávez. A esquerda latino-americana ainda imagina que deve construir o mundo de novo. Chávez, da Venezuela, Evo Morales, da Bolívia, Rafael Correa, do Equador, e Lula são muito diferentes entre si. Mas o que há em comum entre os partidos e os movimentos que apóiam esses governantes é a noção do estado como instrumento de salvação. Essa é uma idéia fundamentalmente antidemocrática. Não há nada parecido com isso fora da América Latina.

 

A política externa brasileira tem duas cabeças. A oficial, que segue a linha histórica do Itamaraty, e a extra-oficial, que é a política externa do PT, representada por Marco Aurélio Garcia, assessor de Lula, que boicota a diplomacia tradicional. Garcia acha que a integração latino-americana deve ser feita em bases nacionalistas e antiamericanas, quase chavistas. Ele recusa que a América do Sul deva participar da globalização – o que significa recusar a realidade. Por isso, o Brasil deixou de falar duro com Evo Morales diante do aparatoso cerco militar às instalações da Petrobras, das intimidações contra agricultores brasileiros na Bolívia e da ruptura unilateral de contratos que estabeleciam o valor das refinarias. Logo, logo vamos ter uma crise no Paraguai. Temo que o governo Lula faça pouco para defender os agricultores brasileiros naquele país.

 


Demétrio Magnoli



Escrito por Pe. Henrique às 00h55
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